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‘Iluminando os porões”: Podcast Diálogos recebe Emiliano José e Lucileide Cardoso em episódio de aniversário da Ditadura Militar

Às vésperas do aniversário de 61 anos do Golpe Militar no Brasil, o podcast Diálogos da Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba) lança o penúltimo episódio da temporada, “Iluminando os porões”, com convidados referência na pesquisa sobre o período. O programa recebe a historiadora Lucileide Cardoso e o jornalista e imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB) Emiliano José, ambos autores da casa, para falar das políticas e literaturas de memórias da ditadura e dos vultos autoritários deixados pelo período no país. 

 

Os autores comentam a resposta e discussão gerada tanto pelo sucesso do filme Ainda Estou Aqui (Walter Salles, 2024) e o que muitos consideraram como um silêncio do governo sobre o aniversário de 60 anos do golpe, e os impactos de ambos os fatos na discussão sobre memória. Gravado horas antes da denúncia da Procuradoria Geral da República do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete (agora réus no Supremo Tribunal Federal) por trama golpista, no dia 18 de fevereiro, o episódio aborda, ainda, como a presença persistente da mentalidade militarista e autoritária deixada pelo golpe afeta os funcionamentos da política brasileira.

 

Emiliano foi um dos presos políticos da Ditadura Militar e, no momento posterior ao final do regime, teve grande presença na vida política e preservação da memória do país como escritor, jornalista, acadêmico, vereador e deputado federal e estadual. Segundo o imortal da ALB, que tem sua experiência na luta durante e posterior à ditadura registrada em mais de 15 livros, a conjuntura do aniversário de 60 anos tinha tensões que a diferenciavam da dos 50, quando foi lançado o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade.

 

“É preciso compreender como o Lula se mexia num momento ainda de profunda tensão com a área militar. O espectro militar ronda a nação. Pela primeira vez, e saúdo isso, há generais presos […]. A sociedade brasileira tem uma presença conservadora muito grande, e não é acaso a força da extrema-direita. Não é um fenômeno brasileiro. O Trump acaba de ganhar a eleição nos Estados Unidos”, comenta. 

 

O episódio aborda, ainda, a implantação de políticas estatais de memória e reparação e seus obstáculos, e o papel das literaturas memorialistas na disputa pelo que chamam de "guerra de memórias” no plano cultural.

 

Responsável por um capítulo sobre essas literaturas em Ditaduras: memória, violência e silenciamento (livro que organizou ao lado de Célia Cardoso), Lucileide Cardoso considera que muitas das produções mais importantes e reveladoras sobre períodos de ditadura são produções de memória.

 

“Eu digo que a história é mais seca. É racional, e daí a gente vai para as estruturas políticas, sociais, econômicas, religiosas, o que seja. E a memória não, então não é à toa que, depois das experiências dos campos de concentração, era impossível falar de tudo aquilo sem trazer a centralidade do testemunho. […] Só quem passa fome tem a dimensão do que é fome. Eu não tenho porque eu nunca passei. Só quem é torturado como Emiliano foi que tem a dimensão do que é a tortura. Por mais que eu estude a tortura, eu não tenho essa dimensão, porque eu não vivi isso”, diz a autora, que lançou pela editora também seu memorial Vidas em transe: migrações, ditaduras e lutas democráticas: itinerário acadêmico, político e afetivo.

 

Os comunistas estão chegando

Emiliano José é autor de 20 livros, entre biografias, livros de memória, acadêmicos etc., com discussões sobre ditadura, mídia e poder, e lançou recentemente seu primeiro livro infantil A revolução dos gatos no Planeta Azul. Pela Edufba, publicou Jornalismo de campanha e a Constituição de 1988, Imprensa e poder: ligações perigosas, Balança mas não cai: memórias do jornalismo e O cão morde a noite. 

 

Em 2025, uma quinta obra do autor chega às livrarias da editora. Os comunistas estão chegando oferece um painel vivo das redações de jornais baianos em tempos de ditadura. Tem espião entre jornalistas, a serviço dos militares, a imaginar a tomada do poder por perigosos bolcheviques, com teorias da conspiração à solta. E há intrépidos repórteres, mexendo-se em tempos obscuros, dispostos a encontrar a verdade. Emiliano José, nesse livro, à diferença de outras obras sobre jornalismo, trata da fascinante aventura do dia a dia do jornalismo e das dificuldades de uma profissão baseada nessa estranha mercadoria chamada notícia.

 

O podcast Diálogos está disponível na plataforma Spotify. Para comprar os livros, envie uma mensagem para o nosso WhatsApp (71) 99732-6726, um e-mail para coedufba@ufba.br ou acesse nosso catálogo na Amazon.

 

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